Lucas é um aluno do 5º ano do ensino fundamental, uma criança cheia de vida e de imaginação. E, assim como qualquer um de sua idade, vai à escola. Lá se dedica, ou pelo menos é obrigado a se dedicar, a diversas matérias.
Dentre elas está a matéria de criatividade, que, na verdade, é uma aula para criar textos criativos e compartilhá-los com os colegas. Em determinada aula, o professor desafiou os alunos a escrever uma história sobre algo que os inspira.
Lucas curte bastante as histórias do vovô e resolveu compartilhá-las com a turma. Escreveu seu texto e candidatou-se a lê-lo na frente da classe.
— Meu avô serviu o Exército e, ao contrário do avô dos outros, ele não era um covarde, ele inspirava. Passou pelos mais pesados treinamentos de guerra. Em um desses treinamentos, certa vez, ele contou que desceram da Lua para a Terra com uma corda…
A turma cai na gargalhada.
— Do que estão rindo?
— Até parece que isso aconteceu!
— Aconteceu sim! Meu avô esteve no Exército.
— Psiu, turma, silêncio — diz a professora. — O que nós falamos sobre rir do coleguinha?
— Eles riem por inveja. Não têm um avô corajoso como o meu.
— Lucas, os avôs de todos são legais, e sua história ficou incrível. Mas isso não pode ter acontecido, meu amor. Não existe uma corda desse tamanho, e as leis da física impedem.
— Você está chamando meu avô de mentiroso?
— De maneira nenhuma. Provavelmente ele estava brincando, testando sua imaginação ou contando uma história que também ouviu de alguém.
Percebendo que as crianças estavam bem agitadas, a professora teve uma ideia.
— Crianças, o avô do Lucas me deu uma ideia. Mas preciso saber: quem topa?
— Eu, eu, eu! — disseram várias crianças.
— Amanhã terá um eclipse, e a Lua vai cobrir o Sol. O que acham de tentarmos subir até a Lua com uma corda?
As crianças se entreolharam, algumas rindo, outras curiosas.
— Nem adianta, meu avô não virá. É dia de ele jogar bingo.
— Nem precisa vir, Lucas. O prêmio já é nosso. Então amanhã tragam uma corda — continuou a professora. — Pode ser barbante, lã, fita, o que tiverem em casa. Vamos juntar tudo e ver até onde conseguimos chegar.
No dia seguinte, a sala parecia um ninho de gatos. Havia novelos coloridos, cordas grossas, cadarços, barbantes e até uma fita de presente dourada que brilhava quando batia a luz.
Lucas trouxe uma corda simples, meio gasta, que encontrou na garagem do avô.
— Foi com essa aqui que ele desceu da Lua? — perguntou um colega, em tom de deboche.
— Não, essa é a corda com que ele sela os burros da fazenda. Quer que eu te mostre como é?
Nisso, a professora interrompe e explica o que está fazendo. Ela amarrou todas as cordas, uma a uma. As crianças ajudavam, dando nós apertados — alguns tortos, outros impossíveis de desatar. Quando terminaram, a corda serpenteava pela sala, saía pela porta e seguia pelo corredor da escola.
A ponta foi amarrada junto ao projetor. Era dali que a escola transmitiria o eclipse para os alunos.
— Pronto — disse a professora. — Agora precisamos esperar o eclipse.
As crianças foram levadas ao pátio. O céu começava a escurecer devagar, como se estivesse anoitecendo.
— Segurem firme — disse ela, entregando a ponta da corda para Lucas.
A sombra do eclipse se projetava ali no pátio. As crianças pegaram a corda e iam deslizando, passando pela sombra. Uma a uma. Quando a última criança passou, o eclipse estava acabando.
Já na sala de aula, a professora perguntou:
— O que acharam, crianças? Assim como o avô do Lucas, também descemos da Lua à Terra com uma corda.
As crianças estavam pensativas e eufóricas. Agora queriam escrever uma redação sobre como se sentiram descendo da Lua à Terra com uma corda.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência
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