Morre Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos

Dramaturgo morreu em São Paulo após complicações de insuficiência renal crônica e deixa um dos maiores legados da teledramaturgia brasileira

O escritor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, na manhã desta terça-feira (7), em São Paulo. A informação foi confirmada pelo HCor (Hospital do Coração), onde o autor estava internado.

Segundo o hospital, Benedito morreu em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica, doença contra a qual lutava havia cerca de três anos. Nos últimos anos, o dramaturgo passou por diversas internações devido a infecções recorrentes no trato urinário. Em janeiro deste ano, chegou a receber alta após tratamento para uma infecção urinária associada ao quadro renal.

Reconhecido como um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira marcada por novelas que se tornaram clássicos da televisão, como O Rei do Gado, Terra Nostra, Pantanal, Renascer, Cabocla e Velho Chico.

Infância no interior inspirou grandes novelas

Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, Benedito foi o mais velho de cinco irmãos. Cresceu em meio aos cafezais de Vera Cruz, convivendo com famílias de imigrantes italianos e japoneses, cenário que mais tarde serviria de inspiração para diversas de suas obras.

A morte precoce do pai, fundador do jornal A Voz de Vera Cruz, obrigou Benedito a trabalhar ainda criança para ajudar no sustento da família. Mais tarde, mudou-se sozinho para São Paulo em busca de oportunidades, conciliando trabalho e estudos. Antes do sucesso na televisão, exerceu diversas profissões, incluindo vendedor de verduras, faxineiro, bancário, jornalista e redator publicitário.

Passagem pelo Paraná inspirou sua primeira obra

Contudo, foi durante um período de trabalho em Maringá que Benedito encontrou inspiração para escrever seu primeiro romance, “Fogo Frio”.

A obra nasceu após a histórica geada de 1952, que devastou os cafezais do Norte do Paraná. O romance foi adaptado para o teatro em 1959, a convite de Oduvaldo Vianna Filho, marcando o início da carreira artística do escritor.

Carreira na televisão marcou gerações

As primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa foram produzidas na década de 1960 para a extinta TV Tupi. Em 1971, estreou na TV Globo com “Meu Pedacinho de Chão”, obra inspirada em sua infância no interior paulista.

Apesar de enfrentar a censura durante o período da ditadura militar, consolidou sua carreira na emissora a partir de 1976 com “O Feijão e o Sonho”, seguido por sucessos como “À Sombra dos Laranjais”, “Cabocla”, “Paraíso”, “Sinhá Moça”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra” e “Velho Chico”.

Também escreveu a novela “Os Imigrantes” durante sua passagem pela Rede Bandeirantes.

Sua última novela inédita foi “Velho Chico”, exibida em 2016.

Obras retrataram o Brasil rural e a imigração

Dessa forma ao longo da carreira, Benedito Ruy Barbosa tornou-se conhecido por valorizar o universo rural brasileiro, abordando temas como agricultura, conflitos por terras, imigração, preservação ambiental e relações familiares.

Os romances também eram uma marca registrada de suas produções. O próprio autor costumava afirmar:

“Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor.”

Remakes levaram seu legado a novas gerações

O sucesso das novelas fez com que várias obras fossem revisitadas pela TV Globo ao longo dos anos.

“Cabocla” ganhou remake em 2004, enquanto “Paraíso” voltou à televisão em 2009.

Em 2022, “Pantanal”, originalmente exibida pela Rede Manchete em 1990, recebeu uma nova versão adaptada por seu neto, Bruno Luperi. O remake contou novamente com a participação de Marcos Palmeira, um dos protagonistas da história.

Já em 2024, foi a vez de “Renascer” retornar à televisão em uma adaptação assinada por Bruno Luperi, novamente com Marcos Palmeira no elenco principal.

Legado permanece na família

Nos últimos anos, Benedito Ruy Barbosa havia se afastado da escrita, mas deixou seu legado nas mãos das filhas Edmara Barbosa e Edilene Barbosa, além do neto Bruno Luperi, que seguem atuando como roteiristas e mantêm viva a tradição iniciada por um dos maiores autores da história da televisão brasileira.

Em suma, com uma carreira de mais de seis décadas, Benedito Ruy Barbosa deixa uma obra que atravessou gerações e ajudou a construir alguns dos maiores sucessos da dramaturgia nacional, eternizando histórias que retrataram o Brasil, seu povo e suas raízes.

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