Parece que foi ontem, mas já se passaram 32 anos desde a Copa do Mundo de 1994, a primeira realizada nos Estados Unidos. Naquela edição, 24 seleções disputaram o troféu mais cobiçado do futebol. Foi a última Copa com esse formato. Quatro anos depois, na França, o Mundial passou a reunir 32 equipes. Agora, em 2026, a competição vive uma nova transformação e conta, pela primeira vez, com 48 seleções.
Das equipes que participaram da Copa de 1994, nove ficaram de fora da edição de 2026: Bolívia, Bulgária, Camarões, Grécia, Irlanda, Itália, Nigéria, Romênia e Rússia.
Muita coisa mudou ao longo dessas três décadas. Em 1994, apenas seis países já haviam conquistado a Copa do Mundo: Uruguai, Itália, Alemanha, Brasil, Inglaterra e Argentina. Desde então, apenas duas seleções ingressaram no seleto grupo de campeões mundiais: França, em 1998, e Espanha, em 2010.
Mas como estão hoje as seleções que disputaram a Copa de 1994 e não estarão presentes na edição de 2026? Relembre a trajetória de cada uma delas e os motivos que as levaram a ficar fora do maior torneio do futebol mundial.
Bolívia: da geração histórica de 1994 ao desafio de voltar à Copa do Mundo

A Bolívia viveu, em 1994, um dos momentos mais marcantes de sua história no futebol. Sob o comando do técnico espanhol Xabier Azkargorta, a seleção garantiu vaga na Copa do Mundo dos Estados Unidos após uma campanha histórica nas Eliminatórias Sul-Americanas, encerrando um jejum de 44 anos sem disputar o principal torneio do planeta.
A classificação ficou marcada pela força da equipe atuando na altitude de La Paz e por um elenco que tinha nomes como Marco Etcheverry, Erwin Sánchez e Luis Cristaldo. No Mundial, porém, os bolivianos não conseguiram repetir o desempenho das Eliminatórias. Derrotados por Alemanha (1 a 0) e Espanha (3 a 1), além do empate sem gols diante da Coreia do Sul, terminaram a competição na fase de grupos.
Desde então, a seleção boliviana não voltou a disputar uma Copa do Mundo. Ao longo das últimas três décadas, o país alternou gerações promissoras, mas encontrou dificuldades para manter competitividade fora da altitude, fator que historicamente pesa nas Eliminatórias da CONMEBOL.
A ampliação da Copa do Mundo de 2026 para 48 seleções aumentou as esperanças dos bolivianos. Pela primeira vez, a América do Sul passou a contar com seis vagas diretas e uma para a repescagem. Mesmo assim, a Bolívia não conseguiu aproveitar a oportunidade e ficou fora do Mundial mais uma vez. Na repescagem venceu Suriname, mas perdeu para o Iraque.
Apesar da nova frustração, a seleção demonstra sinais de renovação. Jovens atletas começaram a ganhar espaço durante as Eliminatórias, alimentando a expectativa de que a equipe possa voltar a disputar uma Copa do Mundo nos próximos ciclos e encerrar um jejum que, após a ausência em 2026, chegará a pelo menos 36 anos.
Bulgária: da surpreendente semifinal ao longo período de reconstrução
A Copa do Mundo de 1994 representou o maior momento da história da Bulgária no futebol. Liderada pelo craque Hristo Stoichkov, artilheiro da competição ao lado do russo Oleg Salenko com seis gols, a seleção eliminou a então campeã Alemanha nas quartas de final e terminou o torneio na quarta colocação após perder para a Suécia na disputa pelo terceiro lugar.
Depois daquele feito histórico, a Bulgária disputou apenas mais uma Copa do Mundo, em 1998, quando caiu ainda na fase de grupos. Desde então, iniciou um longo período de declínio, ficando fora de todas as edições do Mundial.
Nas últimas décadas, a seleção enfrentou dificuldades para revelar jogadores do nível da geração de Stoichkov e perdeu espaço no cenário europeu. A equipe também não conseguiu se firmar nas Eliminatórias para a Eurocopa e para a Copa do Mundo.
Mesmo com o aumento do número de vagas para o Mundial de 2026, a Bulgária voltou a fracassar na tentativa de retornar ao principal torneio do futebol.
Camarões: tradição africana interrompida

Depois de encantar o mundo nas quartas de final da Copa de 1990, Camarões voltou a disputar o Mundial em 1994 como uma das principais forças do futebol africano. A equipe contou novamente com Roger Milla, que, aos 42 anos, tornou-se o jogador mais velho a marcar um gol em Copas do Mundo, recorde que permaneceu por muitos anos.
Os Leões Indomáveis ainda participaram das Copas de 1998, 2002, 2010, 2014 e 2022, consolidando-se como uma das seleções mais tradicionais da África.
Entretanto, a campanha nas Eliminatórias para 2026 ficou abaixo das expectativas. Em uma disputa cada vez mais equilibrada no continente africano, Camarões não conseguiu garantir vaga e encerrou uma sequência de participações em Mundiais.
A ausência representa um duro golpe para uma seleção que sempre foi reconhecida pela força física, talento individual e pelo protagonismo no futebol africano.
Grécia: do título europeu ao desaparecimento dos grandes torneios
A Grécia estreou nesta copa e fez uma campanha medíocre. Depois em 2004 surpreendeu o planeta ao conquistar a Eurocopa de 2004. O título histórico abriu caminho para uma fase de crescimento que culminou nas participações nos Mundiais de 2010 e 2014.
Na Copa do Brasil, em 2014, os gregos alcançaram, pela primeira vez, as oitavas de final, sendo eliminados pela Costa Rica nos pênaltis.
Após esse período, porém, a seleção entrou em declínio. A dificuldade para renovar o elenco e a evolução de outros adversários europeus impediram novas classificações para grandes competições.
Em 2026, mesmo com a ampliação das vagas destinadas à UEFA, a Grécia voltou a ficar fora da Copa do Mundo.
Irlanda: tradição que ainda busca um novo capítulo

A Irlanda viveu uma geração bastante competitiva entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 2000. Em 1994, chegou às oitavas de final após superar a Itália na fase de grupos, resultado que permanece entre os maiores da história da seleção.
Os irlandeses ainda disputaram a Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, quando também alcançaram as oitavas de final.
Desde então, porém, a seleção passou por um processo de reconstrução e encontrou dificuldades para competir contra as principais potências europeias nas Eliminatórias.
Apesar do crescimento de jovens jogadores nos últimos anos, a Irlanda novamente não conseguiu garantir presença na Copa do Mundo de 2026.
Itália: a maior ausência entre os campeões mundiais
Vice-campeã em 1994 após perder a decisão para o Brasil nos pênaltis, a Itália construiu uma das histórias mais vitoriosas do futebol mundial. A Azzurra conquistou seu quarto título em 2006 e permaneceu entre as principais seleções do planeta.
Entretanto, nas últimas décadas, viveu uma sequência de resultados inesperados. Ficou fora das Copas de 2018 e 2022 e repetiu o fracasso nas Eliminatórias para 2026.
A ausência significa que a tetracampeã mundial completará três Copas consecutivas sem participar do torneio, algo inédito em sua história e considerado um dos maiores jejuns já vividos por uma potência do futebol.
Nigéria: talento que não foi suficiente
A Copa de 1994 marcou a estreia da Nigéria em Mundiais e apresentou ao mundo uma das gerações mais talentosas da história do futebol africano, com jogadores como Jay-Jay Okocha, Rashidi Yekini, Daniel Amokachi e Sunday Oliseh.
Desde então, a seleção tornou-se presença frequente nas Copas, disputando as edições de 1998, 2002, 2010, 2014 e 2018.
Mesmo com uma nova geração de atletas atuando nos principais campeonatos europeus, a Nigéria não conseguiu confirmar o favoritismo nas Eliminatórias africanas e acabou fora da Copa de 2026.
A eliminação foi considerada uma das maiores surpresas do continente.
Romênia: longe dos tempos de Hagi
Em 1994, a Romênia viveu seu melhor desempenho em Copas do Mundo. Com Gheorghe Hagi como principal estrela, a equipe encantou o mundo ao chegar às quartas de final, eliminando a Argentina nas oitavas antes de cair para a Suécia nos pênaltis.
A seleção ainda participou dos Mundiais de 1998, mas nunca mais conseguiu repetir o desempenho daquela geração.
Nas últimas décadas, os romenos enfrentaram dificuldades para formar novos talentos capazes de recolocar o país entre as principais seleções da Europa.
O sonho do retorno em 2026 também terminou nas Eliminatórias, prolongando a ausência da Romênia em Copas do Mundo.
Rússia: ausência motivada por punição internacional

A situação da Rússia é diferente das demais seleções que ficaram fora da Copa de 2026. Após disputar a Copa do Mundo de 1994 e sediar o Mundial de 2018, quando chegou às quartas de final, a seleção deixou de participar das competições organizadas pela FIFA e pela UEFA em razão das sanções impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.
Desde então, os russos disputam apenas amistosos internacionais e permanecem impedidos de participar das Eliminatórias para a Copa do Mundo e para a Eurocopa.
Dessa forma, a ausência da Rússia em 2026 não ocorreu por desempenho esportivo, mas pela manutenção das sanções internacionais, que seguem afastando o país das principais competições do futebol mundial.
Primeiramente: Siga-nos nas redes sociais: Instagram, Facebook

