CURITIBA – Em meio às movimentações antecipadas para as eleições de 2026, o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), reafirmou nesta quarta-feira (14) que sua possível candidatura ao Palácio do Planalto depende de uma construção coletiva. Durante o anúncio de novos investimentos em infraestrutura viária na capital paranaense, o governador destacou que a prioridade deve ser o projeto de país, e não as ambições individuais.
“Fico honrado e aceito o desafio”
Embora mantenha a cautela, Ratinho Jr. admitiu pela primeira vez de forma clara a disposição de concorrer. Isso caso seja o nome de consenso dentro da legenda.
“Quem vai ter a capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil? Se meu nome for o escolhido internamente, fico muito honrado e, obviamente, aceito o desafio. Isso é algo que precisa ser construído dentro do partido”, afirmou.
O governador criticou o modelo político tradicional, que foca excessivamente em personalismos. Para ele, o PSD deve buscar um nome que consiga “aglutinar” diferentes setores da sociedade em torno de uma nova proposta para o Brasil, mesmo que esse nome não seja o dele.
Diálogos com Gilberto Kassab
A movimentação de Ratinho Jr. não é isolada. O governador teve duas reuniões importantes com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nos dias 8 e 13 de janeiro. Fontes próximas ao Palácio Iguaçu indicam que as conversas avançaram significativamente, embora o partido ainda esteja longe de um consenso definitivo.
Kassab tem adotado uma estratégia de múltiplas frentes. Em declarações recentes, o dirigente partidário sinalizou que:
-
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda é visto por ele como o nome mais forte da oposição.
-
Caso Tarcísio opte pela reeleição em São Paulo, o PSD tem em Ratinho Jr. E no governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), as principais alternativas para encabeçar uma chapa.
O tabuleiro para 2026
A indefinição sobre o papel de Tarcísio de Freitas no próximo pleito é o principal fator de espera para o PSD. Enquanto Kassab mantém as portas abertas para o governador paulista, Ratinho Jr. se posiciona como a “solução caseira” e ideologicamente alinhada a um projeto de centro-direita modernizador.
Por outro lado, o cenário de alianças segue complexo. Lideranças do PSDB também acompanham o movimento, embora ainda descartem apoios formais a nomes externos neste estágio inicial das discussões.
Impactos no Paraná
Uma eventual candidatura de Ratinho Jr. à Presidência da República em 2026 provocaria um “efeito dominó” na política paranaense, alterando desde o comando do Palácio Iguaçu até as estratégias de seus principais rivais.
Mudança no Comando do Estado
Se Ratinho Jr. decidir concorrer ao Planalto, ele obrigatoriamente terá que renunciar ao cargo de governador até abril de 2026 (seis meses antes da eleição).
-
Quem assume: O vice-governador Darci Piana (PSD) assume o governo de forma definitiva.
-
Perfil do governo: Piana, que é um nome de perfil técnico e empresarial (ex-presidente da Fecomércio-PR), manteria a continuidade da gestão, mas o estado perderia o “puxador de votos” direto no dia a dia da máquina pública durante o período eleitoral.
O Desafio da Sucessão Estadual
A saída de Ratinho Jr. abre um vácuo de liderança no grupo governista, que hoje domina amplamente a política do estado. A base aliada enfrentaria dois grandes desafios:
-
Dificuldade de Consenso: Atualmente, dois nomes principais do PSD disputam a preferência do governador para sucedê-lo: o deputado estadual Alexandre Curi e o secretário de Cidades, Guto Silva. Sem Ratinho no estado para arbitrar essa disputa presencialmente, o risco de racha na base aumenta.
-
Fortalecimento da Oposição: Pesquisas recentes indicam que o senador Sergio Moro (União Brasil) lidera as intenções de voto para o Governo do Paraná em 2026. Com Ratinho Jr. focado em uma campanha nacional, Moro e outros nomes de oposição (como Requião Filho) teriam mais espaço para crescer, já que a “transferência de votos” do governador para um aliado não é automática.
Impacto no “QG” Político
O Paraná deixaria de ser apenas um curral eleitoral para se tornar o centro de uma estratégia nacional.
-
Visibilidade vs. Ausência: Por um lado, o estado ganha projeção nacional e pode atrair mais investimentos e alianças de peso. Por outro, a ausência física do governador em eventos locais e a “nacionalização” dos debates podem desgastar sua aprovação interna, que hoje é de quase 80%.
-
O fator Tarcísio: Se Ratinho Jr. for o candidato do PSD, ele precisará garantir que seu reduto eleitoral (Paraná) entregue uma votação expressiva para compensar estados onde é menos conhecido.
Resumo dos Riscos e Oportunidades
| Cenário | Impacto Principal |
| Ratinho Candidato | Renúncia em abril/26; Darci Piana assume; sucessão estadual fica aberta e imprevisível. |
| Ratinho Desiste | Permanece no cargo até o fim; foca em eleger seu sucessor e possivelmente disputa uma vaga ao Senado. |
| Efeito Moro | O senador Sergio Moro aparece como o principal beneficiário da ausência de Ratinho Jr. na disputa estadual. |
Primeiramente: Siga-nos nas redes sociais: Instagram, Facebook
