O ano é 1492 do lado oeste do Atlântico e 11.13.12.4.4 na contagem maia. Vahxak’ i-Kaam, governo local, selecionou bravos homens para responder à pergunta que  ecoava na mente a gerações: o que há além do oceano?  

— Chega de só navegarmos nas terras costeiras, nossos vizinhos já conhecemos. Mas o que haverá no fim do mar? Seremos pioneiros, dominaremos o mundo assim que descobrirmos o que existe além… quem sabe uma passagem para os céus, onde habitam os deuses.  

O que estes bravos navegadores maias, encontrariam além-mar? Não existia um consenso, só uma vontade de descobrir onde nasce o sol. Para isso, o próprio astro seria o guia durante o dia, e as estrelas durante a noite.  

O porto, durante a partida da expedição, reunião todos os moradores locais, um rito de agradecimento aos deuses foi entoado. Acreditavam ter sidos escolhidos para navegar e chegar até a morada do deus Sol.  

Partiram. Navegaram tanto que a terra foi se distanciando até que desapareceu por completo do alcance dos olhos. Para onde quer que olhassem, só se via água, nada além de água. No céu, nem aves eram mais avistadas. As frutas que levaram junto se estragaram em poucos dias. No entanto, usaram-nas como isca para pescar, e bebiam água recolhida da chuva. A batalha estava dura, muitos queriam desistir, mas como fariam? Não dava para simplesmente dar meia-volta e retornar: já haviam navegado muito e completava-se um mês em alto-mar. 

— Até quando— perguntavam-se, olhando para o sol, que parecia nunca estar mais próximo.   

Alguns poucos dias mais, começaram a observar que havia golfinhos na região:  

— Devemos estar próximos de alguma terra, observem estes botos. Lembram-se do que nosso sacerdote dizia, que eles sempre buscam uma noiva para nossos deuses. Há terra nas proximidades.  

A alegria na embarcação foi geral.  

 No dia seguinte, finalmente avistaram terra. Remaram até lá e perceberam que se tratava de um conjunto de ilhas. Não tinham ideia de onde estavam, mas hoje sabemos que eles desembarcaram na Ilha da Madeira. 

O escrivão a bordo relatou o povoado da seguinte maneira:  

“Acreditávamos ter chegado à morada do nosso deus Sol. Que nada! O que observamos foi outro povo, estranho aos nossos olhos e com uma língua incompreensível.  Mas, pelo que observamos, são amigáveis.  

As roupas são estranhas, não parecem ser feitas com couro de animal, pelo menos nenhum que conhecemos. A pele nos assustou: é clara como o miolo da mandioca. Não cultuam o sol.  

Alimentavam-se de coisas diferentes, frutas que nunca tínhamos visto. Nossa favorita foi uma tal de uva, que são umas bolinhas uma presa a outra.  

Comemos um tal de pão e gostamos, pois matou nossa fome. O formato lembra um montinho de areia que as crianças fazem na praia. Disseram-nos que é feito com trigo, vamos levar para cultivarmos.  

Acreditamos que poderemos tomar posse deste lugar. Deixamos um dos nossos para aprender a tal língua, que não tem nada de semelhante com a nossa. Descobrimos também que há muita terra além destas poucas ilhas. O mapa já estamos desenhando.  

Sofremos no mar, mas agora temos abundância. Uma nova era começa para o nosso povo. Voltaremos para traçar uma linha no mapa e declarar a metade deste novo mundo como domínio exclusivo dos maias, deixando claro para os astecas que o oceano tem um único dono. ”  

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