Jovem com tetraplegia apresenta primeiros movimentos após tratamento experimental com polilaminina em Cascavel

Um jovem de 23 anos que sofreu um grave trauma na coluna começou a apresentar sinais iniciais de recuperação após receber uma aplicação experimental de polilaminina em um hospital público de Cascavel, no oeste do Paraná. Cerca de duas semanas após o procedimento, Wagner Felipe de Lima voltou a sentir sensibilidade na região da barriga e apresentou leves movimentos nas pernas.

O tratamento foi realizado no Hospital Universitário do Oeste do Paraná, referência regional em atendimento médico e pesquisas clínicas. A aplicação ocorreu no dia 21 de fevereiro e integra estudos científicos sobre novas possibilidades de tratamento para lesões na medula espinhal.

Primeiros resultados após a aplicação

De acordo com a equipe médica responsável, os primeiros sinais de resposta ao medicamento surgiram aproximadamente duas semanas após o procedimento. Wagner passou a relatar sensibilidade na região abdominal e demonstrou pequenos movimentos nas pernas, o que pode indicar atividade neurológica na região afetada.

Embora ainda seja cedo para afirmar os resultados definitivos do tratamento, os médicos consideram os sinais iniciais um indicativo positivo no processo de recuperação.

Como foi realizada a aplicação

A aplicação da substância foi conduzida pelo neurocirurgião Lázaro de Lima, professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, com acompanhamento de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O estudo faz parte de uma linha de pesquisa coordenada pela médica Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da técnica.

Segundo o neurocirurgião, o paciente passou por uma avaliação criteriosa antes de receber o tratamento experimental.

“Ele sofreu um acidente recente, passou pela descompressão de T3 e T4 e tratamento da ruptura de T3. Após a estabilização do quadro, verificamos que ele preenchia os critérios para receber a polilaminina. Organizamos toda a documentação necessária e solicitamos à Anvisa a liberação para uso compassivo”, explicou o médico.

Acidente causou trauma grave na medula

Wagner sofreu um trauma raquimedular durante um acidente de carro ocorrido no período de Carnaval. A lesão provocou tetraplegia, exigindo cirurgia para descompressão das vértebras T3 e T4, além do tratamento da ruptura da vértebra T3.

Após a estabilização do quadro clínico, os médicos identificaram que ele poderia ser candidato ao tratamento experimental.

Uso compassivo autorizado pela Anvisa

A aplicação da polilaminina ocorreu por meio do chamado uso compassivo, mecanismo regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Esse tipo de autorização permite que pacientes tenham acesso a terapias ainda em fase de pesquisa quando não existem alternativas eficazes de tratamento e quando os critérios médicos e científicos são rigorosamente atendidos.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma substância derivada da laminina, uma proteína naturalmente presente no corpo humano e encontrada em grande quantidade na placenta.

No sistema nervoso, a laminina desempenha um papel importante no crescimento dos axônios — estruturas dos neurônios responsáveis por transmitir impulsos nervosos. Quando ocorre uma lesão na medula espinhal, esses axônios podem ser danificados, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.

A expectativa dos pesquisadores é que a polilaminina ajude a estimular a regeneração dessas estruturas nervosas.

Caso os estudos clínicos confirmem a eficácia e segurança da técnica em todas as etapas de pesquisa, poderá ser solicitado o registro sanitário do medicamento, permitindo sua futura comercialização e uso em maior escala no tratamento de lesões medulares.

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