Presença quase obrigatória nas ceias de Natal brasileiras, o chester desperta curiosidade todos os anos. Afinal, ele é uma ave diferente? É natural ou criado em laboratório? Existe mesmo esse animal? A resposta é simples — e ao mesmo tempo cheia de história.
Chester existe?
Sim, o chester existe. Ele é uma ave real, criada a partir de seleção genética tradicional, e não por manipulação genética em laboratório. O chester não é uma nova espécie, mas sim uma linhagem especial de frango, desenvolvida para apresentar maior rendimento de carne.
A origem do chester
A Perdigão desenvolveu o chester no Brasil na década de 1980, por meio de um programa de melhoramento genético. A ideia era criar uma ave que tivesse mais carne exatamente nas partes mais valorizadas pelo consumidor: peito e coxas.
O nome “chester” vem do inglês chest, que significa peito, numa referência direta ao principal diferencial da ave: o peito volumoso e carnudo.
Como o chester é criado
Diferente do que muitos imaginam, o chester:
- Não é transgênico
- Não é fruto de experiências em laboratório
- Não recebe hormônios (o uso é proibido no Brasil)
Ele surge do cruzamento controlado de aves com características desejáveis, como crescimento uniforme e maior massa muscular, um processo semelhante ao que acontece há séculos na criação de gado, cães e plantas agrícolas.
Por que o chester virou símbolo do Natal?
Antes da popularização do chester, o peru era o grande protagonista das ceias natalinas. No entanto, o peru costuma ser maior, mais caro e exige maior cuidado no preparo para não ressecar.
O chester ganhou espaço porque:
- Tem tamanho mais adequado para famílias médias
- Possui carne mais macia e suculenta
- É mais fácil de preparar
- Apresenta melhor aproveitamento da ave inteira
Com campanhas publicitárias fortes nos anos 1980 e 1990, o chester se consolidou como um produto tipicamente associado ao Natal brasileiro.
Chester, frango ou peru?
Apesar da aparência mais robusta, o chester está mais próximo do frango do que do peru. Seu sabor é suave, lembrando o frango tradicional, porém com textura mais firme e cortes mais volumosos.
Hoje, o termo “chester” virou quase um nome genérico, mas tecnicamente ele se refere à linhagem criada originalmente pela Perdigão, ainda que outras marcas utilizem aves com características semelhantes.
Curiosidades sobre a ave
- O chester tem cerca de 70% da carne concentrada no peito e nas coxas
- Ele foi pensado para atender o paladar brasileiro
- Tornou-se um dos maiores exemplos de como o marketing pode criar uma tradição alimentar
Muito além da ceia
Mais do que um prato natalino, o chester é um retrato da relação entre indústria, cultura e consumo. Ele mostra como o tempo pode moldar os hábitos alimentares e como um produto pode ganhar identidade própria dentro de uma celebração tão simbólica quanto o Natal.
No fim das contas, o chester não é um mistério genético, mas sim uma ave que carrega uma boa história — temperada com tradição, curiosidade e, claro, muito sabor.
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