Homenagem ao Deputado Anibelli Neto e ao meu novo amigo, Dr. Gilmar Cardoso.
Foi um convite inesperado que mudou a minha noite de segunda-feira.Um convite do advogado Gilmar,meu novo amigo de Curitiba.
_ Você é o nosso convidado, disse ele. Tratava-se do Primeiro Encontro Regional do MDB: o Brasil Precisa Pensar o Brasil. E claro, sublinhar os 59 anos de história do Movimento.
Orgulhoso pela lembrança, resolvi participar de um evento que me lançou diretamente aos gritos de liberdade e novas eleições, que ecoavam do mesmo MDB dos anos 80. Sim, em alguns minutos, fui atropelado pelo tempo e me deparei com o que ainda há de melhor neste país de novos radicais: a boa política.
Naqueles anos éramos todos estudantes e brigávamos pelas Diretas Já! Um chamado incomum,após 21 anos de eleições indiretas e desmandos democráticos, na qual víamos pelas frestas dos discursos de Pedro Simon, Paulo Brossard e Ulisses Guimarães, um chamadoao retorno imediato da Democracia em nosso país.
Os anos se passaram e nos acostumamos à liberdade, com eleições livres. Quase a perdemos, entretanto.
Milhares de militantes, muitos deles eleitos nesses anos todos, sequer imaginam como seriam eleições e posses, quando se é manietado por uma ditadura. Fica até difícil explicar, pois parece uma ficção sobre a vida real, quando não se pode receber votos, assumir postos na administração de municípios e poder atuar sem vigilância.
Mas um dia foi assim.
Passando os olhos sobre as siglas políticas que nos representam hoje, não se encontra a que lembre o MDB, em sua formação: contrariando o senso comum de bajuladores que foram eleitos indiretamente, fazendo oposição no Congresso, sofrendo ameaças constantes e, com recursos escassos, liderando um novo país em formação… O Brasil das diretas.
Parece pouco, mas ali foram lançadas as bases dos próximos 40 anos que nos esperavam pela frente, em democracia e liberdade de expressão. E foi justamente o MDB que cimentou essa estrada. Quem enfrentaria, naqueles tempos obscuros, uma ditadura instalada com ampla maioria em todas as casas legislativas?
Na noite da última segunda recebi a resposta.
Mas de 1200 pessoas estavam disputando aos cotovelos, para verem e ouvirem discursos de novas lideranças, outras, pioneiras, mas que, em sua unanimidade, falavam de uma nesga de história, de conquistas e avançosem que fui testemunha ocular.
Não havia discurso de ódio, nessas improvisações, nem quaisquer intenções de eliminar o oponente. E, então, a saudades só aumentou.
Sabendo como vivemos nestes dias de rancor políticos sem limites, quando ouvimos e vemos que aqueles que não pensam em conformidade, deveriam ser eliminados…Quando ouvimos uma sucessão de ideias infundadas, muitas delas narrativas a procura de um inimigo em comum, ouvir políticos do MDB da velha guarda, falando com o entusiasmo de jovens estreantes, trouxe um alívio real para o debate e uma esperança enorme de que se pode fazer e viver a política; sem o que temer.
Os discursos foram se somando, jamais em tons ofensivos, sem extremismos, com uma carga histórica que nenhum outro partido estaria em condições de oferecer. Havia um clima no ar, nas pessoas, como que passado e futuro atropelavam-se para acordar um gigante na história do Brasil.
Ouvia-se convites para que ex-aliados retornassem, gritos de exaltação, reconhecimento pelas grandes figuras que teceram as primeiras costuras políticas, nessa colcha democrática e apaziguadora que o partido representa.
Mas foi o discurso do Deputado Anibelli Neto que mais impressionou.
Sua voz quase rouca, seu rosto transpassado de suor, seus gritos ecoaram fundo na alma emedebista. Foi um apelo para que se fizesse daquele momento um novo recomeço, uma nova caminhada. Mais do que um convite, suas palavras falavam da emoção ao ver tantas pessoas agremiadas, como que antevendo um novo futuro para os eleitos e aos novos candidatos do partido, para pensarem naquele instante como um início, uma marca de uma nova caminhada.
Pela noite, pelo jantar impecável, por conhecer tantas pessoas dedicadas nesta retomada, conhecer ex-governadores e lideranças expoentes que sequer eu conhecia…Valeu toda a expectativa.
O discurso do Anibelli falava em união de forças, em superação de desafios… Em nenhum momento desprezou ou ameaçou qualquer adversário ou partido oponente. Quanto nos vale uma força equilibrada em tempos de extremos odiosos e aniquilantes? Como Presidente Estadual, deu o exemplo que inspira os que vem chegando por estes dias e que precisam de palavras de convencimento a toda uma população cansada de radicalismos.
Quanto valem mesmo, palavras de equilíbrio e serenidade, mesmo que aos gritos, diante de uma plateia exausta de discursos no exercício da má política que os assombrou nesses últimos anos?
Nesta escalada ideológica em curso e que afastou milhares de pessoas de partidos e ideias, a profusão de promessas espúrias ou a simples má fé de seus falsos líderes, poderia ser o tom dos discursos. Mas não foi!
A história do MDB é composta por um degradé democrático, que o fez participar de todas as grandes mudanças desde a redemocratização. E isso autoriza o partido a pensar forte, com o direito de sentar-se ao lado de quaisquer líderes que ainda surgirão para governar; com ideias, gestão e participação sem medida.
Mas a noite guardou mais surpresas!
Ainda caminhando a esmo pelas mesas, cumprimentando pessoas como amigas deanos, conheci duas mulheres simpáticas demais. Ambas professoras, uma vereadora em seu município e a outra, a caminho de candidatar-se. Que prazer de conversa!
O Deputado Anibelli nos lembrou o que está no Estatuto Estadual: 30% das vagas do Diretório têm de serocupadas por mulheres. Vamos convencê-lo que, em breve, o seu lugar deverá ser de 50%. Porque também será pelas mulheres, neste partido de tanto acolhimento, que se fará a mudança que o país precisa. Com muito sentido, as duas mulheres que também me acolheram,representavam uma cidade chamada Reserva do Iguaçu. Que lindo!
Está explicado, estão! Uma noite desenhada para descobertas.
Toda a força a estas mulheres, Jussara e Lúcia, carregadas de sorrisos sinceros e olhares de esperança. Gratidão!
Grato ainda pelo Gilmar, meu novo amigo e inspirador nesta jornada.
Grato Deputado Anibelli, por me jogar de volta a um passado de glórias e a um futuro que nem sabia que pudesse ainda sonhar; onde cabem a renovação, a estratégia e o respeito por quem possa ser até dissonante, mas por todos os que tem em comum uma profunda vontade de mudar este país e a continuar fazendo história.
NELCEU ALBERTO ZANATA, professor, teólogo e escritor é autor do livro “A Planta, suas folhas e um sino”. Dentre outras obras literárias infanto-juvenis