Filme brasileiro “Ainda Estou Aqui” faz história e conquista o Oscar 2025 de Melhor Filme em língua estrangeira
O Brasil celebrou uma vitória histórica no Oscar 2025: o filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, levou para casa a cobiçada estatueta de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A produção, estrelada por Fernanda Torres e Selton Mello, já chegava à cerimônia como uma das favoritas e garantiu a primeira premiação do Brasil na categoria. O longa também concorria nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz, esta última para Fernanda Torres, que se tornou a segunda brasileira indicada ao prêmio 25 anos após sua mãe, Fernanda Montenegro, por “Central do Brasil”.
A vitória de “Ainda Estou Aqui” foi consolidada após uma disputa acirrada com produções de peso, como “A Garota da Agulha” (Dinamarca), “A Semente do Fruto Sagrado” (Alemanha), “Emilia Pérez” (França) e “Flow” (Polônia), uma animação que também chamou a atenção da crítica internacional.
Aclamação internacional e prêmios importantes
O filme, que já havia conquistado o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, recebeu aclamação unânime da crítica e do público. No Rotten Tomatoes, plataforma de avaliação de filmes, “Ainda Estou Aqui” atingiu impressionantes 97% de aprovação. Além disso, Fernanda Torres fez história ao vencer na categoria de Melhor Atriz no Globo de Ouro 2025, consolidando ainda mais o sucesso da produção.
A história por trás do filme
Baseado na obra autobiográfica de Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” retrata a emocionante trajetória de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, durante os primeiros anos da ditadura militar no Brasil. O enredo acompanha a luta da personagem para descobrir o paradeiro de seu marido, o deputado Rubens Paiva, desaparecido pelo regime militar. A narrativa sensível e poderosa emocionou plateias ao redor do mundo, destacando-se não apenas pela atuação impecável de Torres, mas também pela direção precisa de Walter Salles.
O prêmio foi entregue pela atriz espanhola Penelope Cruz a Walter Salles.
Em seu emocionante discurso, Walter Salles prestou uma homenagem especial a Eunice Paiva, figura central da história retratada em “Ainda Estou Aqui”. “É uma honra imensa. Este prêmio é dedicado a uma mulher que enfrentou uma perda tão profunda. Ele vai para ela, Eunice Paiva, e para as mulheres extraordinárias que deram vida a essa história: Fernanda Torres e Fernanda Montenegro”, declarou o diretor, emocionando a plateia.
Apesar da vitória na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, Fernanda Torres não levou o prêmio de Melhor Atriz, que ficou com Mikey Madison, estrela de “Anora”. O filme, que narra um improvável romance entre uma jovem stripper de Nova York e o filho de um oligarca russo, também conquistou o Oscar de Melhor Filme.
Trajetória do Brasil no Óscar
O Brasil já havia sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em outras ocasiões, e, com a indicação de 2025, chegou à sua quinta nomeação. As produções anteriores que representaram o país na categoria foram: “O Pagador de Promessas” (1963), “O Quatrilho” (1996), “O Que É Isso, Companheiro?” (1998) e “Central do Brasil” (1999). A vitória de “Ainda Estou Aqui” em 2025.
Além das cinco indicações na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil acumula outras 17 nomeações em diversas categorias do Oscar ao longo da história. A primeira delas ocorreu em 1945, com a música “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso, parte da trilha sonora do filme “Brazil”. Na mesma categoria, o país só foi indicado novamente em 2012, com a canção “Real in Rio”, da animação “Rio”.
No campo da atuação, o Brasil já conquistou duas indicações em Melhor Atriz: Fernanda Montenegro, por “Central do Brasil” (1999), e Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui” (2025). Em Melhor Direção, as nomeações vieram com Hector Babenco por “O Beijo da Mulher Aranha” (1986) e Fernando Meirelles por “Cidade de Deus” (2004). Este último também rendeu indicações em Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição.
Na categoria de Melhor Filme de Animação, o Brasil foi representado por “O Menino e o Mundo” (2016) e “O Touro Ferdinando” (2018). Já em Melhor Curta de Animação, “Gone Nutty” (2004) foi o escolhido. Em Melhor Documentário em Longa Metragem, o país teve três indicações: “Democracia em Vertigem” (2020), “O Sal da Terra” (2015) e “El Salvador: Another Vietnam” (1982).
A indicação mais recente do Brasil no Oscar ocorreu em 2022, com “Onde Eu Moro”, na categoria de Melhor Documentário de Curta Metragem. No ano anterior, “Uma História de Futebol” concorreu ao prêmio de Melhor Curta-Metragem em Live Action, mas não levou a estatueta.
América latina no Óscar
Na América Latina, o Brasil ocupa o terceiro lugar entre os países com mais indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ao todo, 29 produções latino-americanas já concorreram à cobiçada estatueta. O México lidera o ranking, seguido pela Argentina, que acumula oito indicações e duas vitórias: “O Segredo dos Seus Olhos” (2010) e “A História Oficial” (1986). O México também celebrou uma conquista em 2019, com “Roma”, de Alfonso Cuarón. Além disso, o Chile entrou para a lista de vencedores em 2018, com “Uma Mulher Fantástica”. A vitória de “Ainda Estou Aqui” em 2025 consolida o Brasil como o quarto país latino-americano a levar o prêmio para casa, marcando um momento histórico para o cinema nacional.
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