Um ano de estudos e preparação para encarar o vestibular. Essa é a rotina de muitos jovens que sonham com uma vaga na universidade.
São horas diante de folhas cheias de cálculos, textos, mapas e histórias de tantas civilizações. Conteúdos que, muitas vezes, parecem distantes da vida prática. Afinal, o que mudaria na vida de alguém saber quem foi Gengis Khan ou qual era a capital do Império Otomano?
Mas há estudantes que vão além. Aqueles que, se perguntados de bate-pronto qual é a raiz quadrada de 125, qual a maior palavra da língua portuguesa ou qual a capital do Alasca, respondem sem pensar duas vezes.
Amanda era uma dessas estudantes. Queria ser advogada, tinha ótimas notas e todos os professores eram unânimes em dizer:
— Ela vai passar na federal.
Ao lado dela estava Mariana, sua melhor amiga. Diferente de Amanda, ela não tinha a mesma dedicação aos estudos. Queria fazer Publicidade e Propaganda e estudava o suficiente para tentar. Se não passasse, faria uma faculdade particular. Não queria transformar aquilo em um sofrimento.
Inscrição feita, local de prova conferido. As duas fariam o vestibular no mesmo lugar.
Foi então que Mariana teve uma ideia.
— Todo ano tem gente que se atrasa e chega correndo para tentar entrar. E muitos ficam para fora. O que acha de chegarmos cedo, ficarmos dentro do portão, esperarmos fechar e vermos o pessoal desesperado?
Amanda riu.
— Nem se formou em Direito ainda e já quer causar. Gostei.
— E você, como futura publicitária, já consegue imaginar os memes que vai criar.
— Guria, só você para ter essas ideias.
A prova começava às 14h, com entrada permitida até as 13h. A chegada às salas deveria acontecer às 13h30.
Mas ainda eram 11h quando elas chegaram ao local. Já tinham identificado o bloco onde fariam a prova. O jeito foi esperar em uma lanchonete do campus e comer alguma coisa antes da maratona.
Amanda estava tranquila. Tinha confiança.
Faltavam dez minutos. As duas foram para perto do portão, observando os candidatos que chegavam apressados.
— Mariana, está quase na hora de vermos o pessoal correndo.
O relógio continuava avançando.
— Falta um minuto…
13h.
Amanda olhou para o portão.
— Estranho… ninguém fechou ainda.
As duas caminharam até o bloco. Pelo caminho, encontraram pais esperando os filhos, amigos aguardando os candidatos e alguns professores dando apoio aos alunos.
Entre eles estava um professor de História do cursinho.
— O que aconteceu, meninas? Por que vocês não estão fazendo a prova?
Mariana respondeu, sorrindo:
— Queremos ver o segurança fechar o portão e ver os retardatários correndo desesperados.
O professor respira fundo.
— Amadas, o que fecha é a porta do bloco, não o portão. Vocês perderam a prova.
As duas ficam com cara de espanto e começam a chorar.
— Mas não sabia que era assim… E agora?
— Agora só ano que vem…
— Mas não podemos perder um ano. O que vamos falar para nossos pais?
— Sabe o que é pior? Tínhamos a certeza de que você passaria, Amanda. Mas não sei por que você quis rir do atraso dos outros; agora chora pelo seu. O que posso te dizer para consolar? Sempre tem um ano que vem. Estudem, não queiram o mal dos outros. Se agirem dessa forma, vocês conseguem. Por hora, para vocês, é xeque-mate.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes fatos ou acontecimentos reais terá sido mera coincidência
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