O ano é 1826.
Escrevo nesta semana meu artigo aqui no jornal. Espero que seja lido no ano 2000. Afinal, esta é a minha visão de como será o futuro. Não estarei mais aqui, mas acredito que minha contribuição poderá ser válida.

Neste momento, escrevo com uma pena. Espero que, no futuro, os lápis se tornem mais acessíveis. Já escrevi com um, mas não é sempre que consigo.

Outro ponto: espero que as viagens se tornem menos cansativas, com mais hospedarias no caminho e boas baias para os cavalos. Há viagens longas e muito exaustivas, e nem sempre há água suficiente para os animais.

Vocês devem estar cientes de que uma invenção chamada fotografia foi desenvolvida em minha época. Espero que, no início do século XXI, ela sirva para ilustrar os jornais com imagens.

Também espero que mais pessoas saibam ler. Assim, poderão ter algum lazer após o trabalho e não precisar dormir tão cedo. Imagino que os lampiões também estarão mais acessíveis.

“Tudo o que foi possível ser inventado já foi inventado.”
Tenho refletido sobre essa frase que ouvi certo dia, e acredito que faz sentido. Gostaria de ter ferramentas melhores para escrever, mas creio que a maior inovação será o lápis colorido. Vocês aí do futuro podem me responder?

Sei que Leonardo da Vinci e outros já imaginaram máquinas voadoras. Isso seria algo surreal. Deus deu asas apenas às aves; voar pode ficar restrito às histórias de ficção. Ao homem foi dado o bom e velho cavalo.

Em minha época, os casais não têm filhos — têm verdadeiras tribos: 10, 12, 15 crianças. Se eu fosse bom em matemática, calcularia quanto será a população mundial se essa média continuar. Mas acredito que isso diminuirá, talvez para uns 8 filhos por casal. E espero que todas as crianças possam frequentar a escola. Entre meus irmãos, apenas eu estudei Direito e um irmão do meio foi para o seminário. Os outros doze, não.

O futuro pode ser incerto, mas não creio que seja extraordinário. Meu avô, quando veio para a capital e viu pela primeira vez lampiões a óleo iluminando as ruas do centro à noite, ficou incrédulo. Achou que aquilo não era possível, talvez até um sinal do fim do mundo. Arrisco dizer que, no futuro, não apenas o centro, mas todos os lugares terão iluminação durante a noite.

E então, meus amigos do futuro: acertei ou errei em minhas previsões?

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