Quando se pensa em Goiás, o imaginário nacional costuma recorrer a imagens já conhecidas: chapéu, bota, estrada de terra, gado no pasto e música sertaneja ecoando no rádio. Curiosamente, esse mesmo exercício mental acontece nos Estados Unidos quando o assunto é o Texas. A comparação não é gratuita. Goiás pode, sim, ser considerado o Texas brasileiro, ao menos no espírito cultural e simbólico.

Terra onde o campo vira identidade

Assim como o Texas, Goiás construiu sua identidade a partir do campo. O agronegócio não é apenas um setor econômico, mas um traço cultural. A figura do produtor rural goiano ocupa um lugar semelhante ao do cowboy texano: símbolo de força, autonomia e orgulho regional.

Em ambos os casos, o campo não representa atraso, mas potência. Goiás é protagonista na produção de grãos, carnes e derivados, enquanto o Texas combina pecuária, agricultura e energia como pilares de sua economia. São regiões que alimentam seus países; literal e simbolicamente.

Música como expressão de pertencimento

Se o Texas tem o country, Goiás tem o sertanejo. Mais do que estilos musicais, ambos funcionam como trilhas sonoras de um modo de vida. As letras falam de estrada, trabalho duro, amores simples e raízes profundas.

Não por acaso, Goiânia se tornou um dos principais polos musicais do Brasil, assim como cidades texanas moldaram o country moderno. Em ambos os lugares, a música extrapola o entretenimento e se transforma em identidade coletiva.

Conservadorismo, tradição e estereótipos

Texas e Goiás também compartilham um rótulo frequente: o conservadorismo. São regiões vistas como defensoras de valores tradicionais, da família, da religião e de uma visão mais clássica de mundo. Essa leitura, porém, costuma ser simplificadora.

Assim como o Texas abriga cidades progressistas e altamente conectadas à inovação, Goiás também possui centros urbanos modernos, universidades, polos tecnológicos e uma juventude que dialoga com o mundo. O estereótipo existe, mas não dá conta da complexidade.

Orgulho regional que não pede licença

Outro ponto em comum é o orgulho de ser quem se é. O texano não se apresenta como “mais um americano”; ele é texano. O goiano, da mesma forma, carrega um senso de pertencimento muito próprio, que se manifesta no sotaque, nas expressões, na comida e na hospitalidade.

Essa identidade forte cria uma relação quase afetiva com o território. Goiás não é apenas um estado, é um jeito de viver. Exatamente como o Texas.

Um Texas em escala brasileira

É verdade que o Texas opera em escala continental, com peso econômico e político global. Goiás, por sua vez, atua dentro da lógica brasileira. Ainda assim, no plano simbólico, a equivalência funciona.

Se o Texas é o coração rural que ajudou a moldar os Estados Unidos, Goiás cumpre papel semelhante no Brasil: um estado que traduz o interior, a produção, a tradição e a resistência cultural, sem deixar de olhar para o futuro.

Chamar Goiás de “Texas brasileiro” não é exagero, é leitura cultural. Ambos representam regiões que transformaram o campo em identidade, a tradição em orgulho e a música em bandeira. Guardadas as proporções, Goiás é, sim, o Texas do Brasil, com sotaque próprio, claro, e sertanejo no volume máximo.

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