Não estamos mais nos anos 60. O mundo mudou, e o futebol também. Naquela época, existiam seleções que pareciam destinadas a dominar o esporte. Falávamos quase sempre das mesmas potências: Alemanha, Argentina, Brasil e Itália.
Esses países formavam uma espécie de aristocracia do futebol mundial. Havia outras seleções talentosas, como Hungria, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Algumas chegaram muito perto da glória, outras encantaram gerações. Mas, com o tempo, essas equipes se perderam na história. Há quem diga que fatores políticos contribuíram para isso, mas essa é uma conversa para outro momento.
Hoje o futebol é diferente. O esporte se globalizou e se transformou em um mercado bilionário, capaz de despertar interesses em praticamente todos os cantos do planeta. Nações que antes eram coadjuvantes agora buscam protagonismo. Investem em centros de treinamento, formação de base e estrutura profissional.
Um bom exemplo é Morocos. A seleção africana terminou em quarto lugar na última Copa do Mundo e tem conquistado títulos em categorias de base. Nada disso aconteceu por acaso. Foi resultado de planejamento e investimento. Não por coincidência, o país também será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030.
Enquanto alguns crescem, outros parecem perder o brilho. O caso mais emblemático é o da Itália. A tradicional Azzurra, tetracampeã do mundo, vive um momento difícil e acumula ausências em Copas do Mundo, algo que durante décadas parecia impensável.
Durante muito tempo, a presença italiana no torneio era praticamente garantida. Fora as ausências em 1930 e 1950, por motivos políticos e logísticos, e a eliminação nas eliminatórias de 1958, a Itália sempre esteve entre os protagonistas do futebol mundial.
Mas os tempos mudaram. A última participação italiana em Copa foi em 2014, quando caiu ainda na fase de grupos. Naquele torneio, a equipe estava no grupo da morte, ao lado de Uruguai, Inglaterra e Costa Rica.
Para quem cresceu vendo a Itália disputar Copas do Mundo, é estranho imaginar o torneio sem a camisa azul em campo. No entanto, o futebol moderno não vive mais de tradição. O peso da camisa já não garante vitórias.
Hoje o mercado da bola é global. Jogadores circulam pelo mundo inteiro, ligas estão interligadas e a velha máxima se tornou mais verdadeira do que nunca: não existe mais time bobo no futebol.
Entre os fatores que ajudam a explicar a crise italiana está a forte presença de jogadores estrangeiros na liga local. A Serie A continua sendo um campeonato poderoso, mas quando há poucos atletas nacionais ganhando espaço, a seleção acaba ficando sem base.
Outro fator que preocupa é demográfico. A Itália possui uma das menores taxas de natalidade do mundo. Com menos crianças nascendo, naturalmente diminui também o universo de jovens que podem se tornar futuros jogadores.
Por tudo isso, talvez seja o momento de uma reforma profunda na federação. A seleção italiana é importante demais para o futebol mundial para permanecer tanto tempo apagada.
É hora de reconhecer os erros, reconstruir e pensar no futuro. A próxima Copa, em 2030, marcará os 100 anos do torneio. E, pela história que construiu no esporte, é difícil imaginar o centenário da Copa do Mundo sem a presença da Itália.
Primeiramente: Siga-nos nas redes sociais: Instagram, Facebook
