O mundo não vira junto: quem celebra o Ano-Novo primeiro e quem se despede por último

Enquanto o mundo se prepara para a contagem regressiva, a chegada do Ano-Novo não acontece ao mesmo tempo em todos os lugares. Entre os territórios habitados , o primeiro a comemorar a virada é Kiribati , no Oceano Pacífico, mais especificamente as Ilhas Line , que operam no fuso UTC+14 . Tecnicamente, o primeiro fuso horário do planeta passa por uma região da Antártida , mas, por ser uma área desabitada, essa marca costuma ser desconsiderada.

A posição de Kiribati como “primeiro do mundo” é resultado de uma decisão histórica. Até 1995, a Linha Internacional da Data cortava o país ao meio, fazendo com que diferentes ilhas vivessem em dias distintos, com uma diferença de até 24 horas dentro do mesmo território nacional. Para resolver problemas administrativos e fortalecer a unidade do país, o governo decidiu deslocar a Linha da Data para o leste, colocando todo o arquipélago sob o mesmo calendário — e garantindo a Kiribati o título simbólico de primeiro país habitado a receber o novo ano.

No extremo oposto do planeta, o posto de último lugar a celebrar a virada também mudou ao longo do tempo. Durante anos, Samoa figurou entre os últimos fusos horários. Em 2011, no entanto, o país tomou uma decisão drástica: adiantou o calendário em um dia inteiro, pulando diretamente de 29 para 31 de dezembro. A mudança teve motivação econômica, buscando alinhar o fuso horário com seus principais parceiros comerciais, como Austrália e Nova Zelândia. Com isso, Samoa deixou de ocupar o último fuso do planeta.

Atualmente, entre os grandes territórios habitados, o Havaí, nos Estados Unidos, é o último lugar a celebrar a chegada do Ano-Novo, encerrando simbolicamente o ciclo anual no planeta.

Mas essa sequência global da virada também provoca reflexões. Há quem considere que os países das Américas são privilegiados, por assistirem ao mundo inteiro entrar no novo ano antes de chegar a sua vez. Enquanto a Ásia, a Oceania e a Europa já celebraram — e em muitos casos já dormem —, os americanos acompanham, quase como espectadores, a onda de fogos e comemorações que percorre o planeta.

Do outro lado do mundo, o cenário é inverso: o Ano-Novo chega cedo e a noite termina antes que as grandes celebrações globais comecem. No entanto, especialistas e observadores lembram que essa diferença não representa vantagem ou atraso, mas apenas perspectiva. A virada do ano não é um instante único e universal, e sim um fenômeno que se desloca lentamente ao redor da Terra, seguindo a rotação do planeta.

Quem vira primeiro inaugura. Quem vira por último encerra. Entre um extremo e outro, bilhões de pessoas atravessam o mesmo limite simbólico em horários distintos. No fim, o calendário apenas reforça uma verdade simples: o tempo não pertence a um lugar específico, e o Ano-Novo, cedo ou tarde, chega para todos.

A criação dos fusos horários: quando o mundo precisou organizar o tempo

A noção de que o planeta vive em horários diferentes sempre foi conhecida, mas o conceito de fusos horários padronizados é relativamente recente. Até o século XIX, cada cidade regulava seus relógios de acordo com o tempo solar local. O meio-dia era definido simplesmente pelo momento em que o Sol atingia o ponto mais alto no céu, o que fazia com que localidades próximas apresentassem diferenças de minutos entre si.

Esse sistema funcionou durante séculos, até entrar em colapso com o avanço da Revolução Industrial. O surgimento das ferrovias e dos transportes de longa distância tornou inviável a coexistência de centenas de horários locais. Tabelas de trens passaram a ser confusas, compromissos se desencontravam e acidentes começaram a ocorrer por falhas de sincronização.

A solução veio em 1879 , quando o engenheiro e inventor canadense Sandford Fleming propôs a divisão do planeta em 24 fusos horários , cada um correspondente a 15 graus de longitude , acompanhando a rotação da Terra ao longo das 24 horas do dia. A proposta não tinha apenas base científica, mas sobretudo prática : organizar o tempo para um mundo que passava a se mover mais rápido.

A padronização foi oficialmente adotada em 1884, durante a Conferência Internacional do Meridiano, realizada em Washington. No encontro, representantes de diversos países definiram o Meridiano de Greenwich, na Inglaterra, como o ponto zero da contagem do tempo mundial. A partir dele, os fusos passaram a ser organizados para leste e oeste, e a Linha Internacional da Data foi estabelecida como referência oposta, marcando a mudança de um dia para o outro.

Desde então, o tempo deixou de ser apenas um fenômeno astronômico local e passou a ser um acordo global. Os fusos horários não refletem apenas a posição do Sol, mas também decisões políticas, econômicas e culturais — como mostram os casos de Kiribati e Samoa. Mais do que medir horas, o sistema organiza a convivência humana em um planeta onde o Ano-Novo, definitivamente, não chega ao mesmo tempo para todos.

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