Tiozão do Skate é destaque nas Olimpíadas

Quem acompanhou a disputa do skate park masculino na manhã de hoje (horário de Brasília) foi surpreendido por um competidor de 49 anos, Dallas Oberholzer, também conhecido como “tiozão do skate”. Embora não fosse o mais velho da competição – título que pertence a Andrew Macdonald, de 51 anos – Oberholzer chamou atenção pelo carisma e pela sua inspiradora história de vida e contribuição ao skate na África.


Oberholzer terminou em último lugar, mas foi muito aplaudido, ganhando o coração da torcida. “Gostei de ter acertado minha melhor manobra na última volta, isso já fez valer a pena”, comentou. Ele começou a andar de skate nos anos 1980, contrariando os desejos de sua mãe. “Ela queria que eu jogasse tênis, mas eu não queria bater na bola. Eu queria ser a bola, e sair voando pra um lado e pro outro”, explicou.


Oberholzer agradeceu pelo apoio dos brasileiros, declarou seu amor pelo país e compartilhou uma história quase inacreditável de uma de suas visitas ao Brasil. Em 1997, durante uma de suas jornadas nômades, ele ficou preso em um atoleiro no Pantanal e se deparou com uma onça. “Foi isso: era uma onça, ali, na minha frente. Comecei a gritar e ela foi embora”, relembra, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Tiozão do skate fala do Brasil


Oberholzer sorri ao falar dos skatistas brasileiros e das experiências que já viveu e ainda deseja viver no Brasil. “Brasil! Eu amo o Brasil, eu amo a energia que as pessoas têm, eu amo o ritmo, e claro, meus parceiros no skate. Foi tão incrível andar com o Pedro (Barros) e o Augusto (Akio). Eu amo esses caras, e é por isso que fui direto abraçar esses caras quando minha sessão acabou, porque sei que eles me apoiaram”, disse. Ele revelou que já visitou o Brasil muitas vezes e expressou o desejo de voltar. “Eu gostaria de ir para Florianópolis. Na verdade, o Pedro acabou de dizer que eu deveria ir. Então acho que maio e junho são os melhores meses, eu vou pra lá surfar”, prometeu.


Apesar do susto no Pantanal, Oberholzer está mais focado em outra missão. “O que eu mais quero, o meu maior objetivo, é chegar em casa, na África do Sul, e alguém me chamar para construir um parque de skate. Nós estamos 20 anos atrasados, temos que ter mais estrutura. É pra isso que estou aqui”, disse.
Dallas tem formações em marketing pela Damelin e em negócios e comércio pela Universidade de KwaZulu-Natal, curso concluído em 1996. Desde então, guardou os diplomas e foi para o mundo, trabalhando em diversos países, incluindo Canadá e Estados Unidos, onde chegou a ser motorista de Janet Jackson em shows.

Los Angeles 2028?


Desde 2002, Oberholzer trabalha em uma ONG que ele mesmo fundou, a Indigo Youth Movement, com o objetivo de construir pistas de skate na África do Sul. “É tudo sobre conexões, comunidade, entender e aceitar. Se você tiver isso, a chance de crescer vai além do skate”.


Para Los Angeles 2028, Oberholzer estará com 53 anos. “Não posso dizer que estarei lá, mas não quero pensar que hoje é minha última competição desse nível”, afirmou. A tarefa é desafiadora, e a prova desta quarta-feira mostrou que o tiozão já sente a pressão para acompanhar os mais jovens. Mesmo assim, é difícil duvidar de quem já espantou uma onça no grito.

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